Investir
O Copom promoveu o quarto corte seguido na taxa básica, mas o Boletim Focus projeta a Selic ainda em 13,75% no fim do ano, aponta a Exame.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano, segundo a Exame. É o quarto corte seguido depois de um período em que a Selic ficou em 15% — o mais alto desde 2006 — entre junho de 2025 e março deste ano, penalizando os financiamentos fora do Minha Casa, Minha Vida, de acordo com o levantamento.
Para quem pensa em financiar um imóvel, o corte muda pouco por enquanto. "Só acredito que veremos um arrefecimento nas taxas e nas parcelas quando a Selic romper a barreira dos 12,5%", diz Fabrício Schveitzer, conselheiro de estratégia do Ecossistema Sienge, à Exame. Pelo cenário atual, isso só deve ocorrer entre abril e junho de 2027.
Até lá, esse primeiro corte muda pouco a realidade do crédito imobiliário, mas começa a dar consistência ao ciclo de redução dos juros.
Fabrício Schveitzer, conselheiro de estratégia do Ecossistema Sienge
Por que o corte não chega direto na parcela. Os bancos não replicam a Selic de forma automática nas taxas de financiamento. Entram na conta o custo de captação, a disponibilidade de fontes como poupança, SBPE, FGTS, LCI e CRI, os juros de longo prazo, as expectativas de inflação e o risco de inadimplência, segundo a reportagem.
Há ainda um efeito colateral: com a taxa básica ainda alta, a renda fixa continua atrativa e parte dos recursos que antes iriam para a poupança migra para outros ativos, reduzindo a base de captação dos bancos para o SBPE — sistema que sustenta a maior parte do crédito habitacional no país, afirma Peixoto Accyoli, CEO da Re/Max Brasil, à Exame.
Para quem investe em imóvel para alugar ou aguarda financiar a moradia, essa combinação de fatores — e não só o número isolado da Selic — costuma pesar mais na hora de calcular se vale esperar ou fechar negócio agora. Schveitzer lembra que, em cidades onde o aluguel está muito caro, existe uma substituição da parcela do aluguel pela parcela do financiamento, o que ajuda a explicar por que a compra de imóveis continua acontecendo mesmo em um cenário de juros elevados, segundo a Exame.
O risco, segundo o CEO da Re/Max, não está em financiar durante um ciclo de juros altos, mas em comprometer a renda com uma parcela alta ou pagar um preço fora da realidade de mercado. "Com preço correto, entrada adequada e visão de longo prazo, financiar agora pode ser uma decisão racional e defensiva", diz Accyoli à Exame.
A expectativa do mercado, registrada no Boletim Focus, é de que a Selic termine 2026 em 13,75% — ainda distante do patamar de 12,5% apontado como o gatilho para uma queda mais perceptível nas parcelas do financiamento imobiliário.
---
Fonte: Exame
Nossa equipe conhece Palmas quadra por quadra e responde rápido no horário comercial.
Leia também
O Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira (5), a quarta queda consecutiva. Especialista ouvido pelo mercado imobiliário avalia que esperar juro mais baixo para financiar imóvel pode não compensar, já que o preço do imóvel também tende a subir.
A Abecip registrou alta de 23% nas concessões de crédito imobiliário no primeiro semestre de 2026 frente a 2025, resultado que já leva a entidade a rever suas projeções para o ano.
A Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida abre espaço para bancos privados disputarem financiamentos de imóveis de até R$ 600 mil, e levantamento aponta diferenças de taxa entre Caixa, BRB, Itaú e Banco do Brasil.