Levantamento da Cbic e da Brain aponta que o Minha Casa, Minha Vida já responde por 58% dos lançamentos do país, maior fatia da série histórica iniciada em 2019.
As vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, somando 113.676 unidades residenciais comercializadas em 221 cidades pesquisadas, segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e da Brain Inteligência Estratégica divulgado nesta segunda-feira (24). O resultado ocorre com a taxa Selic em 14% ao ano.
No primeiro semestre, o total de vendas chegou a 226.536 unidades, alta de 5,4% na comparação anual, aponta o levantamento.
O motor da alta é a habitação popular. Das 107.161 unidades lançadas no trimestre, 62.129 estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida — 58% do total, a maior participação da série histórica iniciada em 2019, segundo a Cbic e a Brain.
Foram vendidas 58.392 unidades do programa no período, contra 55.284 dos segmentos de médio e alto padrão. O programa oferece condições subsidiadas e recursos do FGTS, o que reduz a exposição direta do comprador à Selic.
Se continuar essa taxa de juros a dois dígitos, acredito que vamos chegar a 64% do Minha Casa, Minha Vida.
Celso Petrucci, conselheiro da Cbic e economista-chefe do Secovi-SP
A concentração em imóveis mais baratos reduz o valor movimentado: o Valor Geral de Lançamentos caiu 23,1% no trimestre, para R$ 62,4 bilhões, e o Valor Geral de Vendas recuou 5,5%, para R$ 66 bilhões, segundo o levantamento.
O Sul teve a maior queda nos lançamentos entre as regiões: 17.353 unidades, recuo de 25,1% em um ano, aponta a pesquisa. Para Petrucci, a menor oferta do Minha Casa, Minha Vida na região expõe o mercado local ao crédito caro e à demanda por imóveis mais caros.
No Norte, o programa lidera com 68% dos lançamentos e 67% das vendas do trimestre. No Sudeste, maior mercado do país em volume absoluto, a participação foi de 66% nos lançamentos e 58% nas vendas, segundo a Cbic e a Brain.
A oferta disponível terminou junho em 355.290 unidades, recuo de 2,1% frente ao trimestre anterior. O prazo estimado para vender todo o estoque caiu de 9,9 meses para 9,5 meses — e para 7,6 meses apenas no Minha Casa, Minha Vida, informa o levantamento.
No primeiro semestre, os financiamentos do SBPE para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% em um ano. O crédito para construção mais que dobrou, para R$ 26,5 bilhões, enquanto o financiamento para aquisição por pessoas físicas avançou 12%, para R$ 67,2 bilhões.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o crédito imobiliário deve fechar 2026 com cerca de R$ 411 bilhões em concessões, acima do esperado.
A taxa Selic elevada encarece as fontes alternativas de funding do setor, que passa por transição para reduzir a dependência da poupança a partir de 2027. Bancos já discutem com o Banco Central uma revisão do teto de 12% ao ano para financiamentos do Sistema Financeiro de Habitação, sob o argumento de que o custo de captação pode tornar algumas operações pouco atrativas, segundo o levantamento.
A intenção de compra de imóveis, medida pela Brain, alcançou 52% dos entrevistados, o maior nível da série histórica. Entre esse grupo, 31% dizem que devem fechar negócio em até um ano, e sair do aluguel é o motivo mais citado, apontado por 37% dos interessados.
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Fonte: Folha de S.Paulo
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A CBIC registrou 226.536 unidades residenciais vendidas no país entre janeiro e junho de 2026, alta de 5,4% sobre 2025, com o Minha Casa, Minha Vida alcançando a maior participação da série histórica nos lançamentos.
O volume financiado para imóveis chegou a R$ 160,3 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 17,52% sobre 2025, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No mesmo período, o custo da construção subiu 7,06%, acima do IPCA.
Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica aponta que 72% dos compradores de imóveis já consideram essencial a preparação para recarga de veículos elétricos, pressão que recai sobre incorporadoras e condomínios.