SBPE puxa o avanço do crédito habitacional, mas o custo da obra também sobe acima da inflação, aponta a CBIC.
O financiamento imobiliário no Brasil somou R$ 160,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 17,52% em relação aos R$ 136,4 bilhões do mesmo período de 2025. Os dados fazem parte do balanço de indicadores divulgado nesta quinta-feira (13) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O avanço foi puxado pelos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e do FGTS.
Entre janeiro e junho, os financiamentos via SBPE somaram R$ 93,738 bilhões, aumento de 28,55% frente aos R$ 72,921 bilhões do primeiro semestre de 2025, segundo a CBIC.
A Selic em patamar elevado segue entre os principais entraves apontados pelos empresários do setor, ao lado do custo das obras acima da inflação, de acordo com a CBIC. Ainda assim, a entidade mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026.
Os juros elevados e o aumento dos custos continuam limitando um avanço mais forte da construção. Mas temos, por outro lado, um mercado de trabalho que segue positivo, obras de infraestrutura ganhando ritmo mais forte e os efeitos dos lançamentos imobiliários dos últimos anos.
Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC
O Custo da Construção Brasil, calculado pela CBIC com base nos Custos Unitários Básicos (CUB) estaduais, acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho de 2026 — acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 4,64% no mesmo período. O custo dos materiais subiu 7,92% e o da mão de obra avançou 6,33%, segundo a entidade.
Entre os itens que pesaram nesse avanço, o fio de cobre teve alta de 21,35% no preço médio nacional, segundo a CBIC. Porta interna, bancada de pia, tubo de PVC-R rígido, fechadura, cimento, esquadria de correr e registro de pressão também tiveram variações de dois dígitos no período, sem que a entidade detalhasse os percentuais de cada item.
Na comparação entre segmentos, a construção de edifícios gerou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho no primeiro semestre, resultado 2,19% menor que o do mesmo período de 2025, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi a primeira vez desde o início da série histórica do indicador, em 2020, que o segmento de infraestrutura superou a construção de edifícios na geração de vagas: 64.793 postos, alta de 30,26% sobre 2025, de acordo com a CBIC.
A CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026, mesmo com a Selic em patamar elevado, segundo a entidade.
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Fonte: CBIC
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