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Pesquisa da Loft com a Offerwise mostra gap de 15 pontos percentuais entre o que vendedores pedem e compradores topam pagar em imóveis de até R$ 350 mil — o maior da série histórica.
O Índice de Confiança do Mercado Imobiliário atingiu 5 pontos na Onda 6 da pesquisa realizada pela Loft em parceria com a Offerwise entre 17 de abril e 8 de maio de 2026, o maior nível desde a Onda 3, quando a metodologia atual passou a ser aplicada. Apesar do recorde, 93% dos entrevistados que estavam no processo de compra relataram alguma dificuldade, segundo o levantamento.
O índice varia de -7 a +7 e mede o equilíbrio entre oferta e demanda por imóveis. Na Onda 6, 22% dos entrevistados eram proprietários e 16% tinham imóveis disponíveis para locação ou venda, enquanto 21% pretendiam comprar ou alugar um imóvel nos próximos meses, apontou a pesquisa.
Entre quem estava comprando, 31% já haviam desistido de adquirir um imóvel em algum momento, segundo a Loft e a Offerwise. Os obstáculos mais citados foram dívidas ou compromissos financeiros (24%), preços dos imóveis acima do orçamento (24%), dificuldade para juntar a entrada (22%), juros altos no financiamento (22%) e renda insuficiente para aprovação (21%).
Entre quem desistiu, os motivos se repetem: juros do financiamento muito altos (21%) e parcelas maiores do que o esperado (14%) lideraram as respostas, de acordo com o estudo.
Na faixa de imóveis de até R$ 350 mil, 34% dos vendedores pediam esse valor, contra 49% dos compradores que buscavam imóveis nessa faixa — uma diferença de 15 pontos percentuais, a maior da série histórica, segundo a pesquisa. Na faixa entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões, o gap avançou 9 p.p. em relação à onda anterior, também o maior já registrado.
O cruzamento de dados mostra que a confiança no setor não elimina o atrito da negociação. Vendedores ainda não ajustaram totalmente a expectativa de preço à realidade do crédito mais caro, e é esse descompasso que explica boa parte das desistências.
Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft
No consolidado das seis ondas da pesquisa, 74% dos compradores buscavam moradia, não investimento, e 54% estavam adquirindo o primeiro imóvel. O valor médio que esse comprador gostaria de pagar foi de R$ 559.882,94, segundo a Loft e a Offerwise.
Na Onda 6, pela primeira vez na série, os dois principais motivadores de compra ficaram tecnicamente empatados: deixar de pagar aluguel e construir patrimônio, cada um com 32% das respostas. Entre quem compra como investimento — 26% do total —, o objetivo declarado é diversificar ativos e buscar segurança financeira, apontou o levantamento.
O movimento de conter gastos também aparece do lado de quem aluga. Na faixa entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, o gap entre o que locadores pedem e o que locatários aceitam pagar chegou a 23 pontos percentuais, segundo a pesquisa.
A Onda 6 ouviu 1.403 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Goiânia, entre 17 de abril e 8 de maio de 2026, com coleta feita pela Offerwise e encomenda da Loft. Os dados de Brasília e Goiânia têm base amostral menor e exigem cautela na leitura, segundo a ficha técnica do estudo.
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Fonte: Portas
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