Especialista ouvido pelo Portal N10 explica que o mercado reage antes mesmo de os bancos repassarem o corte às taxas de financiamento.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, de acordo com o Portal N10. O corte de 0,25 ponto percentual dá sequência ao ciclo iniciado em março, quando a taxa saiu de 14,75%, e a redução acumulada desde então chega a 1 ponto percentual, segundo o veículo.
A decisão não significa queda imediata e proporcional nas taxas de financiamento habitacional. Para quem pensa em comprar ou trocar de imóvel, o efeito mais rápido tende a aparecer no comportamento de quem já estava de olho no mercado — antes mesmo de o crédito ficar mais barato de fato.
Os bancos não olham apenas a Selic do dia da contratação porque os financiamentos imobiliários podem durar até 30 ou 35 anos, explica a reportagem do Portal N10. As instituições também embutem na taxa suas expectativas para a economia ao longo dos próximos anos, o que faz um corte de 0,25 ponto na Selic não se traduzir automaticamente em 0,25 ponto a menos na prestação.
A remuneração da poupança, fonte relevante do crédito imobiliário no país, também segue sem mudança: com a Selic ainda acima de 8,5% ao ano, o rendimento continua em 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, conforme a regra do Banco Central citada pelo Portal N10.
Em entrevista ao Portal N10, o especialista em financiamento imobiliário Murilo Arjona afirmou que o mercado costuma se antecipar à queda efetiva das taxas.
O mercado imobiliário trabalha com financiamentos longos. Quando a expectativa para os juros melhora, mais pessoas voltam a simular, conseguem valores maiores na análise de crédito ou decidem antecipar a compra.
Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, ao Portal N10
Para quem pretende comprar um imóvel para morar ou para alugar depois, esse movimento de retomada da confiança tende a esquentar a procura antes de qualquer alívio real na parcela — e, em regiões com pouca oferta de imóveis, essa reação mais rápida da demanda pode reduzir o espaço de negociação com o vendedor, segundo a reportagem.
Contratos em andamento seguem exatamente as condições assinadas: taxa, sistema de amortização e correção pela TR não mudam com o corte de agosto, segundo o Portal N10. A evolução do saldo devedor depende do índice de inflação e dos juros já pactuados, não da Selic do mês.
O comprador que quiser conferir as condições do próprio contrato pode solicitar ao banco o Documento Descritivo do Crédito, que reúne saldo devedor, taxa efetiva, prazo e valor das prestações, conforme orienta a matéria.
Arjona pondera que antecipar a compra pode significar pagar um preço ainda sem a pressão da demanda represada. Segundo ele, se as taxas recuarem mais adiante, o comprador pode avaliar portabilidade do financiamento para outro banco, mantendo o preço já negociado no imóvel.
A portabilidade não é garantida: o banco de destino faz nova análise de crédito e pode negar a operação, alerta o Portal N10 com base nas regras do Banco Central.
A próxima reunião do Copom está marcada para 15 e 16 de setembro, mas o veículo destaca que não há garantia de novo corte — a decisão vai depender da inflação, das expectativas do mercado, da atividade econômica, do cenário fiscal e das condições internacionais.
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Fonte: Portal N10
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