Para o head de Real Estate do Patria Investimentos, Rodrigo Abbud, o setor imobiliário vive momento positivo mesmo com a taxa de juros elevada, com aluguéis e dividendos dos fundos em alta.
O setor imobiliário brasileiro atravessa um momento positivo mesmo com a taxa de juros ainda elevada, com avanço dos aluguéis e dos dividendos pagos pelos fundos, afirmou Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Patria Investimentos. A afirmação foi feita em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (11).
Segundo Abbud, o crescimento da renda distribuída pelos fundos ajuda a compensar a pressão dos juros altos sobre o valor das cotas negociadas em bolsa. "Você acaba tendo um dividendo mensal um pouco mais elevado, o que segura e contrabalanceia essa pressão de queda nas cotas", disse o executivo, segundo a reportagem.
A plataforma de real estate do Patria passou de aproximadamente R$ 600 milhões investidos para mais de R$ 38 bilhões em quatro anos, afirmou Abbud. O avanço combinou crescimento orgânico e aquisições, incluindo a incorporação da VBI, da divisão imobiliária do Credit Suisse e de negócios de real estate da Genial e da RBR.
Hoje a gestora atua em logística, escritórios, shopping centers, varejo e crédito imobiliário. Depois da sequência de compras, porém, o apetite por novos negócios ficou mais seletivo. "O nosso portfólio está completo", disse Abbud, segundo a entrevista.
Cerca de 85% dos investimentos imobiliários da plataforma estão em fundos imobiliários listados, voltados ao investidor de varejo, com uma base que soma aproximadamente 1,3 milhão de investidores, segundo o executivo.
O nosso mercado imobiliário é absolutamente e inversamente correlacionado à taxa de juros. Quanto mais alta a taxa de juros, mais difícil fica o nosso ambiente.
Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Patria Investimentos
Abbud disse que a expectativa inicial era de uma queda mais intensa da curva de juros entre 2026 e os anos seguintes, cenário que perdeu força e reduziu o potencial de valorização das cotas no curto prazo. Depois da recuperação observada em 2025, os fundos imobiliários apresentam comportamento mais lateral em 2026, na avaliação do executivo.
Para Abbud, fundos de "tijolo" — que investem diretamente em imóveis — e fundos de "papel", concentrados em crédito imobiliário, não devem ser tratados como estratégias concorrentes. "Sou contra aquele Fla-Flu: você tem que ter uma e não pode ter outra", afirmou, segundo a reportagem.
Segundo ele, fundos de crédito podem entregar renda mais elevada em certos cenários de juros, enquanto fundos de imóveis tendem a ter maior potencial de valorização do próprio ativo ao longo do tempo — uma leitura, não uma garantia de retorno.
Abbud também vê a consolidação como uma tendência estrutural da indústria, com fundos maiores, carteiras mais diversificadas e gestão ativa ganhando espaço. Para ele, fundos de maior porte tendem a diluir riscos entre mais imóveis e inquilinos, o que pode reduzir a dependência de um único ativo e dar mais estabilidade ao preço da cota e ao dividendo distribuído.
A tendência, segundo o executivo, é de menos fundos por segmento e veículos cada vez maiores nos próximos anos.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
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Fonte: Times Brasil | CNBC
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