Orientação

Todo mês a gente senta com alguém que acha que financiar um imóvel é papo de banco, letra miúda e "não sei se eu consigo". Aí a gente faz três contas na frente da pessoa e o medo vira plano. Financiar não é o bicho de sete cabeças que parece — mas também não é o que o anúncio bonito promete. É uma decisão de anos, e decisão de anos merece a conta inteira na mesa.
Esse guia é a conversa que a gente teria com você numa mesa da Casa63, em Palmas. Sem juridiquês.
Resumo rápido
- Em geral a parcela não pode passar de 30% da sua renda — é a primeira conta a fazer.
- Com a Selic a 14,25% (Copom de junho/2026), os juros do financiamento estão na casa dos 11% a 11,7% ao ano + TR.
- O FGTS pode virar entrada, abater o saldo ou reduzir a parcela — se o imóvel e você se enquadrarem.
- Reserve uns 5% do valor do imóvel para ITBI, cartório e registro. A conta não fecha no preço do anúncio.
Financiar é o banco pagar o imóvel para você e você pagar o banco de volta em parcelas, por até 35 anos, com juros. O imóvel fica no seu nome, mas com alienação fiduciária — em bom português: se você parar de pagar, o banco pode retomar. É por isso que a gente não brinca com a conta da parcela.
Quase todo mundo financia por um motivo simples: pouca gente tem R$ 400 mil parados para pagar à vista. E não faz mal — bem feito, o financiamento é a ferramenta que tira você do aluguel sem descapitalizar.
A regra que os bancos usam quase sempre: a parcela não pode comprometer mais de 30% da sua renda familiar (alguns vão até 35%). Vira de cabeça pra baixo e você descobre quanto consegue pagar.
Um exemplo de Palmas: renda familiar de R$ 6.000 → parcela máxima de R$ 1.800. Com os juros de hoje e um prazo longo, isso costuma financiar um imóvel na faixa de R$ 250 mil a R$ 300 mil, dependendo da entrada. É conta de padaria, mas serve pra você saber se está sonhando com a quadra certa antes de se apaixonar por um apartamento na 208 Norte que não cabe no bolso ainda.
Some as rendas de quem vai assinar junto (cônjuge, por exemplo) — soma a capacidade e melhora a conta.
Faça a conta dos 30% e simule em três bancos — nunca aceite a primeira oferta. Taxa, seguro obrigatório e prazo mudam a parcela mais do que você imagina. A gente compara os três com você antes de qualquer visita.
RG, CPF, comprovante de renda, comprovante de residência, certidão de estado civil. Peça a lista completa de uma vez — nada de "faltou mais um papel" toda semana. Autônomo e MEI conseguem financiar também; só muda a forma de comprovar renda (extrato, DECORE, imposto de renda).
Escolhido o imóvel, o banco manda um engenheiro avaliar. É ele quem diz quanto o banco aceita financiar — normalmente até 80% do valor de avaliação (com FGTS, esse teto pode subir). O que faltar, você entra de entrada.
O banco confere a matrícula do imóvel, as certidões, se há dívida ou pendência. É a etapa que protege você. "Transparência primeiro, fechamento depois" — a gente confere isso junto, matrícula na mão.
Contrato assinado, ele é registrado na matrícula do imóvel no cartório. Só depois do registro o imóvel é seu de verdade. Aí, sim: a chave.
Você vai ter que escolher o sistema de amortização, e isso muda quanto você paga no total:
A diferença no fim pode chegar a dezenas de milhares de reais. A gente detalha isso, com tabela e exemplo em reais, no guia SAC ou Price: qual paga menos.
Se você tem carteira assinada, o FGTS pode: virar parte da entrada, amortizar o saldo devedor lá na frente ou reduzir o valor das parcelas. Para usar, a regra pede (entre outros pontos) pelo menos 3 anos de FGTS somados, não ter financiamento ativo no SFH e o imóvel ser residencial urbano para você morar. A gente confere seu enquadramento caso a caso — as regras mudaram em 2026 e vale checar. Veja o detalhe em como usar o FGTS para comprar imóvel.
Aqui é onde a conta de muita gente quebra. Além da entrada, reserve para:
A conta detalhada está em ITBI, cartório e FGTS: os custos além do preço.
Depende do imóvel, mas use a regra dos 30%: a parcela não deve passar de 30% da renda familiar. Para um imóvel de R$ 250 mil a R$ 300 mil, a renda costuma partir de uns R$ 5.000 a R$ 6.000 somando quem assina junto. Faça a simulação — a gente ajuda.
Na prática, quase sempre precisa de alguma entrada, porque o banco financia até ~80% da avaliação. O FGTS pode cobrir parte ou toda a entrada, então "sem dinheiro no bolso" às vezes é possível com o fundo de garantia. Cada caso é um caso.
Consegue. Muda só como você comprova renda — extratos, imposto de renda, DECORE. A gente organiza isso antes de levar ao banco.
Com a documentação em ordem, costuma levar de 30 a 60 dias, contando avaliação, análise jurídica e registro em cartório. O que mais atrasa é papel faltando — por isso a gente junta tudo de uma vez.
Às vezes sim, às vezes não. Juro mais baixo lá na frente pode ser compensado por imóvel mais caro (em Palmas, os preços anunciados subiram nos últimos anos). A resposta honesta depende da sua pressa e do seu caixa — e às vezes a nossa resposta é "espera 6 meses e organiza isso primeiro". Tudo bem também.
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Quer saber quanto cabe no seu bolso hoje? Manda uma mensagem pra gente no WhatsApp com sua renda e a região que você quer — a gente simula em três bancos e te fala a real. Sem compromisso e sem enrolação. Depois da chave, a gente continua.
A gente responde em até 10 minutos no horário comercial — e às vezes a resposta é "esse imóvel não é pra você". Tudo bem também.
Leia também

As regras mudaram em 2026: nova faixa de classe média com renda até R$ 13 mil, teto de imóvel de até R$ 600 mil e juros que continuam abaixo do mercado. A gente traduz a tabela nova e mostra onde você se encaixa.

O imóvel custa R$ 400 mil, mas a conta não fecha em R$ 400 mil. A gente coloca na ponta do lápis o ITBI de Palmas, o cartório, o registro e o que o FGTS abate — pra você não tomar susto depois da proposta.

Matrícula, certidões, quitações: o que separar ANTES de anunciar pra vender rápido e sem travar no financiamento do comprador.