Levantamento da prefeitura aponta 15% de irregularidade em um dos cinco empreendimentos habitacionais monitorados na capital; regra proíbe venda ou aluguel por dez anos após a entrega.
Um dos cinco empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) monitorados pela Prefeitura de Palmas tem 15% das casas populares em situação irregular. A prefeitura afirma que, nesses casos, beneficiários podem perder o imóvel por via administrativa ou judicial e ainda ter o cadastro habitacional bloqueado.
A regra que baliza a fiscalização é clara: os beneficiários têm um prazo de dez anos para receber o título de propriedade e, até lá, não podem vender, alugar, ceder ou dar outro uso ao imóvel que não seja moradia própria, segundo a Secretaria de Infraestrutura e Habitação (Seihab) do município.
A restrição vale para unidades do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), modalidade do Minha Casa, Minha Vida em que o subsídio vem do governo federal e a Caixa Econômica Federal fiscaliza a utilização dos imóveis, com apoio do município. O advogado Daniel Black explicou que nem todo imóvel do programa segue as mesmas regras, já que o MCMV tem faixas e modalidades distintas — e é justamente sobre os imóveis do FAR que atua a comissão especial de retomada criada em Palmas.
A diretora de projetos sociais da Seihab, Thalyta Gomes, descreveu como funciona o acompanhamento dos beneficiários.
Estamos fazendo um acompanhamento social, em que são feitos relatórios fotográficos, relatórios técnicos, sociais e, mediante isso, repassados para a comissão de retomada. Em hipótese alguma pode ser vendido, alugado, cedido e utilizado para desvios de finalidade.
Thalyta Gomes, diretora de projetos sociais da Seihab
A prefeitura afirma que a retomada não é automática. O beneficiário é notificado até quatro vezes sobre a irregularidade e tem direito a apresentar defesa antes de qualquer decisão.
Cada procedimento tem prazo máximo de 60 dias úteis para conclusão, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, se necessário, segundo o município.
Enquanto a prefeitura mira as irregularidades, parte da demanda por moradia segue represada. A autônoma Cléria Silva Santana disse à TV Anhanguera aguardar por uma casa popular em Palmas há mais de dez anos de cadastro. Em nota, a Seihab informou que o cadastro dela não ultrapassa essa marca e que, por proteção de dados pessoais, o tempo exato não será divulgado publicamente — mas a secretaria se colocou à disposição para esclarecer o prazo diretamente com a moradora.
A Seihab afirmou ainda que a seleção em andamento para os Residenciais Parque dos Ipês I, II e III segue critérios de elegibilidade e hierarquização do programa federal, e que Cléria atende a três desses critérios — enquanto os pré-selecionados na etapa atual somam ao menos quatro. Segundo o município, ela segue regularmente inscrita e pode concorrer em próximos processos de seleção.
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Fonte: Portal Gilberto Silva
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A Prefeitura de Palmas apura casos de venda, aluguel, abandono ou cessão indevida em cinco empreendimentos habitacionais do PAC administrados pela Seihab, com prazo de até 120 dias úteis para concluir cada processo.
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