Dados do STR Summit 2026 mostram 150 mil unidades no país e três vezes mais anúncios de temporada que de hotéis no Booking.
A oferta de aluguel por temporada no Brasil cresceu 70% em três anos. No Booking.com, o país já tem três vezes mais anúncios de temporada do que de hotéis.
O aluguel de curta temporada deixou de ser alternativa e virou peça central da hospedagem no Brasil. A oferta cresceu 70% entre 2023 e 2026, segundo pesquisa apresentada no STR Summit 2026, realizado em 26 de maio em São Paulo e organizado por Hotelier News e Noctua Advisory.
A comparação mais direta com a hotelaria veio da plataforma que vende as duas coisas. O Brasil tem 120 mil anúncios no Booking.com, informou Nelson Benavides, regional manager da empresa: mais de 90 mil são de aluguel por temporada e 30 mil são de hotéis. Em número de anúncios, o setor já é três vezes maior.
Aluguel de curta temporada, ou short-term rental, é a locação de imóvel mobiliado por períodos curtos — de uma noite a algumas semanas —, normalmente anunciada em plataformas como Booking.com e Airbnb. Difere da locação residencial, que tem contrato longo e inquilino fixo, e da hotelaria, que opera com quartos em um mesmo prédio sob uma única administração. No Brasil, esse mercado tem cerca de 150 mil unidades, segundo dados apresentados no STR Summit 2026.
| Curta temporada | Hotelaria | |
|---|---|---|
| Anúncios no Booking.com no Brasil | mais de 90 mil | 30 mil |
| Estadia média | 5,5 noites na Conviva; 2 a 3 noites no Booking | — |
| Indicador que manda | taxa de ocupação | ocupação nem sempre é o principal |
| Quem administra | 43% em operadoras profissionais | administração única por prédio |
São cerca de 150 mil unidades no Brasil, e o país aparece entre os 15 principais mercados globais do segmento. A projeção apresentada no evento é de mais 65% de expansão até 2030.
Ainda é um mercado de gente pequena: operadoras profissionais respondem por 43% do inventário. O resto está espalhado entre proprietários que administram um ou dois apartamentos.
A gestão ainda está na mão de pequenos proprietários. Uma das dificuldades de crescimento do setor é sua fragmentação.
Nelson Benavides, regional manager da Booking.com
Entre 2025 e 2026, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador registraram crescimento de 15% a 25%. No Booking, São Paulo concentra 7 mil anúncios, o Rio de Janeiro 5 mil e Fortaleza 3 mil.
No mesmo período, o índice de receita nominal das atividades turísticas cresceu 10,3% em 2025.
O movimento de profissionalização aparece no tipo de empresa que está entrando. O Charlie, fundado em 2020, opera 2.600 unidades e projeta chegar a 3.200. Tem a Cyrela como acionista relevante e parceria com 60 incorporadoras.
A escolha do produto também mudou. As operadoras priorizam edifícios verticalizados com foco em studios — apartamento compacto, padronizado, fácil de operar em escala. A Apê Smart Studio tem 12 prédios em operação, 1,5 mil apartamentos e outros 8 edifícios em pipeline.
No hotel, taxa de ocupação é um indicador entre outros. Na temporada, é o eixo.
Em hotéis, a ocupação nem sempre é o indicador mais importante. Já no aluguel por temporada, ela funciona como um balizador e se torna crucial nas estratégias de RM.
Daniel Feitosa, consultor de soluções da PriceLabs
Nathalia Beillo, gerente de RM e pricing da Hub 360, alertou para o atalho mais comum: "Basear a precificação apenas no mercado pode ser arriscado". Rafael Pinotti, diretor de RM da Welhome, resumiu o estágio do setor: "A profissionalização começa pelo básico bem feito. Isso é um diferencial enorme".
Preço, localização e configuração do apartamento são os fatores que mais pesam na decisão. O perfil da demanda foi descrito em três blocos: executivo, lazer e hospedagem por necessidade.
O tempo de estadia varia conforme o produto. A Conviva, há 10 anos no mercado, registra média de 5,5 noites e cerca de duas pessoas por apartamento. No Booking, a média fica entre 2 e 3 noites.
E uma frase do painel que vale para quem tem um apartamento parado: "Talvez a decoração seja o jeito mais barato de maximizar o retorno do imóvel".
A reforma tributária redesenha o setor. José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, detalhou o cálculo.
Para locação, haverá uma redução de 70% projetada na base e 8% de IBS e CBS. Ou seja, seria uma redução de 40%.
José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra
Há um corte importante: só é contribuinte de IBS e CBS quem tem mais de 3 imóveis e receita anual acima de R$ 240 mil. "Se eu não me encaixo nesses requisitos, eu não sou contribuinte desses impostos", disse Dias.
Raphael Espírito Santo, sócio do Veirano Advogados, avisou do outro lado: "Trata-se de um segmento que antes era simplificado em termos de tributos. Agora, teremos uma complexidade maior". No mesmo painel foram citadas restrições em projetos HIS e HMP e uma decisão do STJ sobre restrições em condomínios residenciais.
O estado acompanha o movimento. O setor de hospedagem do Tocantins cresceu 39,7% em cinco anos, segundo o Sebrae, e tem 1.418 empresas ativas — 1.337 delas, ou 94,3%, são pequenos negócios. É o mesmo retrato de fragmentação descrito no Summit.
O fim de semana passado em Palmas mostrou o efeito na prática. Portais da capital noticiaram que os hotéis registraram lotação máxima por causa do show de Henrique & Juliano, no sábado (15). No Alireserva, operador de temporada da cidade, as acomodações fecharam na sexta-feira (14), um dia antes do evento e antes do prazo que a empresa projetava.
Quem vem para um show desses quer chegar, largar a mala e estar perto de todo mundo. Cozinha, sala, a turma inteira no mesmo apartamento, cada um no seu quarto. As pessoas procuram a experiência do fim de semana, não só um lugar para dormir.
Daniel Mafort, cofundador do Alireserva
O recado do Summit não é sobre volume, é sobre padrão. O estoque cresceu 70% em três anos, o que significa que quem anuncia hoje disputa atenção com muito mais gente do que disputava em 2023. Os fatores que decidem seguem os mesmos — preço, localização, configuração e clareza do anúncio —, só que agora com concorrência maior e um hóspede que compara em segundos.
Para o Tocantins, com 94,3% do setor formado por pequenos negócios, a distância entre o proprietário amador e o operador profissional é justamente o espaço onde o mercado deve se reorganizar nos próximos anos.
A oferta cresceu 70% entre 2023 e 2026, segundo pesquisa apresentada no STR Summit 2026, organizado por Hotelier News e Noctua Advisory. A projeção apresentada no evento é de mais 65% de expansão até 2030.
Em número de anúncios, sim. O Brasil tem 120 mil anúncios no Booking.com, sendo mais de 90 mil de aluguel por temporada e 30 mil de hotéis, informou Nelson Benavides, regional manager da empresa, no STR Summit 2026.
Cerca de 150 mil unidades, segundo os dados apresentados no STR Summit 2026. Operadoras profissionais respondem por 43% desse inventário; o restante está com pequenos proprietários.
Entre 2025 e 2026, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador registraram crescimento de 15% a 25%. No Booking.com, São Paulo concentra 7 mil anúncios, o Rio de Janeiro 5 mil e Fortaleza 3 mil.
Depende do porte. Segundo José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, a locação terá redução de 70% projetada na base e 8% de IBS e CBS, o que equivale a uma redução de 40%. Só é contribuinte de IBS e CBS quem tem mais de 3 imóveis e receita anual acima de R$ 240 mil. Quem não se enquadra nesses requisitos não é contribuinte desses impostos.
O tema foi discutido no painel tributário do STR Summit 2026, que citou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre restrições em condomínios residenciais, além de restrições em projetos HIS, de Habitação de Interesse Social, e HMP, de Habitação de Mercado Popular.
Preço, localização e configuração do apartamento são os fatores que mais pesam, segundo painel do STR Summit 2026. O perfil de demanda foi descrito em três blocos: executivo, lazer e hospedagem por necessidade.
O setor de hospedagem do estado cresceu 39,7% nos últimos cinco anos, segundo o Sebrae, e tem 1.418 empresas ativas. Dessas, 1.337, ou 94,3%, são pequenos negócios — o mesmo perfil fragmentado apontado no STR Summit.
---
Fonte: Hotelier News — STR Summit 2026 · Booking.com no STR Summit · Charlie · Painel tributário · Preço e localização · Revenue management · Gazeta do Cerrado
---
Fonte: Hotelier News — STR Summit 2026 · Booking.com no STR Summit · Charlie no STR Summit · Painel tributário do STR Summit · Preço e localização · Revenue management · Gazeta do Cerrado
Nossa equipe conhece Palmas quadra por quadra e responde rápido no horário comercial.
Leia também
A Rodes Engenharia lançou nesta segunda-feira (17) o LIKE 210, voltado à locação por temporada em Palmas, e anunciou plano de lançar mais 20 empreendimentos em três anos, com 4.700 unidades no total.
A organização do Em Casa espera mais de 30 mil pessoas neste sábado (15) em Palmas, com mais de 95% dos ingressos vendidos. No Alireserva, as acomodações esgotaram na sexta-feira.

"Pagar aluguel é jogar dinheiro fora"? Nem sempre. A gente põe as duas opções lado a lado, com a conta real de quem mora em Palmas, pra você decidir sem achismo.