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Aluguel de curta temporada explode no Brasil: cresce 70% em 3 anos e supera a hotelaria

Por Redação News63 · Agosto de 2026 · 9 min de leitura · Como apuramos

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Imagem ilustrativa — Aluguel de curta temporada explode no Brasil: cresce 70% em 3 anos e supera a hotelaria
Foto: Acervo Casa63 · apartamento mobiliado em Palmas

Dados do STR Summit 2026 mostram 150 mil unidades no país e três vezes mais anúncios de temporada que de hotéis no Booking.

A oferta de aluguel por temporada no Brasil cresceu 70% em três anos. No Booking.com, o país já tem três vezes mais anúncios de temporada do que de hotéis.

O aluguel de curta temporada deixou de ser alternativa e virou peça central da hospedagem no Brasil. A oferta cresceu 70% entre 2023 e 2026, segundo pesquisa apresentada no STR Summit 2026, realizado em 26 de maio em São Paulo e organizado por Hotelier News e Noctua Advisory.

A comparação mais direta com a hotelaria veio da plataforma que vende as duas coisas. O Brasil tem 120 mil anúncios no Booking.com, informou Nelson Benavides, regional manager da empresa: mais de 90 mil são de aluguel por temporada e 30 mil são de hotéis. Em número de anúncios, o setor já é três vezes maior.

O que é aluguel de curta temporada

Aluguel de curta temporada, ou short-term rental, é a locação de imóvel mobiliado por períodos curtos — de uma noite a algumas semanas —, normalmente anunciada em plataformas como Booking.com e Airbnb. Difere da locação residencial, que tem contrato longo e inquilino fixo, e da hotelaria, que opera com quartos em um mesmo prédio sob uma única administração. No Brasil, esse mercado tem cerca de 150 mil unidades, segundo dados apresentados no STR Summit 2026.

Curta temporadaHotelaria
Anúncios no Booking.com no Brasilmais de 90 mil30 mil
Estadia média5,5 noites na Conviva; 2 a 3 noites no Booking
Indicador que mandataxa de ocupaçãoocupação nem sempre é o principal
Quem administra43% em operadoras profissionaisadministração única por prédio

O tamanho da conta

São cerca de 150 mil unidades no Brasil, e o país aparece entre os 15 principais mercados globais do segmento. A projeção apresentada no evento é de mais 65% de expansão até 2030.

Ainda é um mercado de gente pequena: operadoras profissionais respondem por 43% do inventário. O resto está espalhado entre proprietários que administram um ou dois apartamentos.

A gestão ainda está na mão de pequenos proprietários. Uma das dificuldades de crescimento do setor é sua fragmentação.

Nelson Benavides, regional manager da Booking.com

Onde a curva é mais inclinada

Entre 2025 e 2026, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador registraram crescimento de 15% a 25%. No Booking, São Paulo concentra 7 mil anúncios, o Rio de Janeiro 5 mil e Fortaleza 3 mil.

No mesmo período, o índice de receita nominal das atividades turísticas cresceu 10,3% em 2025.

De proprietário a operador

O movimento de profissionalização aparece no tipo de empresa que está entrando. O Charlie, fundado em 2020, opera 2.600 unidades e projeta chegar a 3.200. Tem a Cyrela como acionista relevante e parceria com 60 incorporadoras.

A escolha do produto também mudou. As operadoras priorizam edifícios verticalizados com foco em studios — apartamento compacto, padronizado, fácil de operar em escala. A Apê Smart Studio tem 12 prédios em operação, 1,5 mil apartamentos e outros 8 edifícios em pipeline.

Ocupação virou o número que manda

No hotel, taxa de ocupação é um indicador entre outros. Na temporada, é o eixo.

Em hotéis, a ocupação nem sempre é o indicador mais importante. Já no aluguel por temporada, ela funciona como um balizador e se torna crucial nas estratégias de RM.

Daniel Feitosa, consultor de soluções da PriceLabs

Nathalia Beillo, gerente de RM e pricing da Hub 360, alertou para o atalho mais comum: "Basear a precificação apenas no mercado pode ser arriscado". Rafael Pinotti, diretor de RM da Welhome, resumiu o estágio do setor: "A profissionalização começa pelo básico bem feito. Isso é um diferencial enorme".

O que faz o hóspede escolher

Preço, localização e configuração do apartamento são os fatores que mais pesam na decisão. O perfil da demanda foi descrito em três blocos: executivo, lazer e hospedagem por necessidade.

O tempo de estadia varia conforme o produto. A Conviva, há 10 anos no mercado, registra média de 5,5 noites e cerca de duas pessoas por apartamento. No Booking, a média fica entre 2 e 3 noites.

E uma frase do painel que vale para quem tem um apartamento parado: "Talvez a decoração seja o jeito mais barato de maximizar o retorno do imóvel".

A conta do imposto muda

A reforma tributária redesenha o setor. José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, detalhou o cálculo.

Para locação, haverá uma redução de 70% projetada na base e 8% de IBS e CBS. Ou seja, seria uma redução de 40%.

José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra

Há um corte importante: só é contribuinte de IBS e CBS quem tem mais de 3 imóveis e receita anual acima de R$ 240 mil. "Se eu não me encaixo nesses requisitos, eu não sou contribuinte desses impostos", disse Dias.

Raphael Espírito Santo, sócio do Veirano Advogados, avisou do outro lado: "Trata-se de um segmento que antes era simplificado em termos de tributos. Agora, teremos uma complexidade maior". No mesmo painel foram citadas restrições em projetos HIS e HMP e uma decisão do STJ sobre restrições em condomínios residenciais.

O Tocantins dentro dessa curva

O estado acompanha o movimento. O setor de hospedagem do Tocantins cresceu 39,7% em cinco anos, segundo o Sebrae, e tem 1.418 empresas ativas — 1.337 delas, ou 94,3%, são pequenos negócios. É o mesmo retrato de fragmentação descrito no Summit.

O fim de semana passado em Palmas mostrou o efeito na prática. Portais da capital noticiaram que os hotéis registraram lotação máxima por causa do show de Henrique & Juliano, no sábado (15). No Alireserva, operador de temporada da cidade, as acomodações fecharam na sexta-feira (14), um dia antes do evento e antes do prazo que a empresa projetava.

Quem vem para um show desses quer chegar, largar a mala e estar perto de todo mundo. Cozinha, sala, a turma inteira no mesmo apartamento, cada um no seu quarto. As pessoas procuram a experiência do fim de semana, não só um lugar para dormir.

Daniel Mafort, cofundador do Alireserva
O mercado em números
  • 70% de crescimento na oferta entre 2023 e 2026
  • 150 mil unidades no Brasil
  • 90 mil anúncios de temporada contra 30 mil de hotéis no Booking.com
  • 43% do inventário nas mãos de operadoras profissionais
  • 65% de expansão projetada até 2030
  • 39,7% de crescimento no setor de hospedagem do Tocantins em cinco anos

O que muda para quem tem imóvel

O recado do Summit não é sobre volume, é sobre padrão. O estoque cresceu 70% em três anos, o que significa que quem anuncia hoje disputa atenção com muito mais gente do que disputava em 2023. Os fatores que decidem seguem os mesmos — preço, localização, configuração e clareza do anúncio —, só que agora com concorrência maior e um hóspede que compara em segundos.

Para o Tocantins, com 94,3% do setor formado por pequenos negócios, a distância entre o proprietário amador e o operador profissional é justamente o espaço onde o mercado deve se reorganizar nos próximos anos.

Perguntas frequentes

Quanto cresceu o aluguel por temporada no Brasil?

A oferta cresceu 70% entre 2023 e 2026, segundo pesquisa apresentada no STR Summit 2026, organizado por Hotelier News e Noctua Advisory. A projeção apresentada no evento é de mais 65% de expansão até 2030.

O aluguel por temporada já é maior que a hotelaria?

Em número de anúncios, sim. O Brasil tem 120 mil anúncios no Booking.com, sendo mais de 90 mil de aluguel por temporada e 30 mil de hotéis, informou Nelson Benavides, regional manager da empresa, no STR Summit 2026.

Quantos imóveis de curta temporada existem no Brasil?

Cerca de 150 mil unidades, segundo os dados apresentados no STR Summit 2026. Operadoras profissionais respondem por 43% desse inventário; o restante está com pequenos proprietários.

Quais cidades brasileiras mais crescem em curta temporada?

Entre 2025 e 2026, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador registraram crescimento de 15% a 25%. No Booking.com, São Paulo concentra 7 mil anúncios, o Rio de Janeiro 5 mil e Fortaleza 3 mil.

Quem aluga por temporada vai pagar mais imposto com a reforma tributária?

Depende do porte. Segundo José Guilherme Dias, sócio do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, a locação terá redução de 70% projetada na base e 8% de IBS e CBS, o que equivale a uma redução de 40%. Só é contribuinte de IBS e CBS quem tem mais de 3 imóveis e receita anual acima de R$ 240 mil. Quem não se enquadra nesses requisitos não é contribuinte desses impostos.

Condomínio pode proibir aluguel por temporada?

O tema foi discutido no painel tributário do STR Summit 2026, que citou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre restrições em condomínios residenciais, além de restrições em projetos HIS, de Habitação de Interesse Social, e HMP, de Habitação de Mercado Popular.

O que o hóspede mais leva em conta na escolha do imóvel?

Preço, localização e configuração do apartamento são os fatores que mais pesam, segundo painel do STR Summit 2026. O perfil de demanda foi descrito em três blocos: executivo, lazer e hospedagem por necessidade.

Como está o mercado de hospedagem no Tocantins?

O setor de hospedagem do estado cresceu 39,7% nos últimos cinco anos, segundo o Sebrae, e tem 1.418 empresas ativas. Dessas, 1.337, ou 94,3%, são pequenos negócios — o mesmo perfil fragmentado apontado no STR Summit.

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Fonte: Hotelier News — STR Summit 2026 · Booking.com no STR Summit · Charlie · Painel tributário · Preço e localização · Revenue management · Gazeta do Cerrado

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Fonte: Hotelier News — STR Summit 2026 · Booking.com no STR Summit · Charlie no STR Summit · Painel tributário do STR Summit · Preço e localização · Revenue management · Gazeta do Cerrado

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